.15 de mar. de 2011
Visita de Barack Obama ao Brasil
.Cidade de Deus e de Barack Obama
A favela carioca que ganhou notoriedade no cinema vive dias de set de filmagem para aparecer "tipicamente brasileira" aos olhos do presidente

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Tudo para dar conta de um roteiro idealizado para que Obama veja atividades “tipicamente brasileiras”. Mas não tanto. Os dois funcionários americanos que estavam na Cidade de Deus nesta tarde, escoltados por quatro policiais da Unidade de Polícia Pacificadora, viram cenas que certamente não acontecerão sob os olhos presidenciais, como cavalos, charretes caindo aos pedaços, porcos e galinhas. Mais difícil será evitar que Obama veja valões de esgoto. Eles estão por toda parte, mesmo nas ruas principais, de passagem obrigatória em qualquer percurso escolhido.
Logística - Cidade de Deus,na Zona Oeste do Rio de Janeiro, foi escolhida por critérios de logística e segurança. Fica próxima ao aeroporto de Jacarepaguá, o que facilita o deslocamento de helicóptero, e é plana, o que facilita o isolamento das áreas que serão visitadas por Obama. Com cerca de 50 mil habitantes, é desprovida de atrativos que costumam levar visitantes ilustres a outras favelas. Na Cidade de Deus, não existem mirantes privilegiados, com vistas estonteantes como as que se tem do Dona Marta ou da Babilônia, também cogitadas e depois praticamente descartadas pela organização da visita. Tampouco há uma escola de samba famosa ou uma vila olímpica como a da Mangueira, onde Bill Clinton esteve em 1997 acompanhado por Pelé. Se for repetir o gesto do colega democrata e cobrar um pênalti na Cidade de Deus, Obama terá que desviar de buracos e poças d´água.
Aí pode estar em boa parte o motivo da indiferença da população em relação à visita. “Eles não vão nos piores lugares da Cidade de Deus”, diz a assistente social Neide Alves da Silva, de 55 anos. A professora Regina Antunes, de 59 anos, mostra as mãos e diz que os calos se formaram de tanto usar a enxada para capinar praças cobertas de mato. E diz que o que está acontecendo por lá é “maquiagem pura”.
Agenda - Em um dia de intensa atividade, com muito ainda por decidir, Barack Obama deverá começar o dia subindo ao Cristo Redentor com Michelle e as filhas, Malia e Sasha. O destino seguinte será a Cinelândia, no Centro, palco de algumas das maiores manifestações políticas do Rio de Janeiro. Lá, o presidente discursará em um palanque armado em frente ao Theatro Municipal ou defronte à Câmara dos Vereadores – mais uma decisão que será tomada pela segurança. O presidente ficará hospedado no hotel Sheraton, em São Conrado, de frente para o mar. E talvez não fique sabendo que o nome da praia que verá da janela e provavelmente fará uma caminhada é Praia do Vidigal, nome da favela para a qual o hotel fica de fundos. Mas certamente alguém o avisará para não mergulhar. Naquele trecho, frequentemente, o mar é impróprio para banho.
6 de fev. de 2011
Obama não quer Brasil no Conselho da ONU
Segundo diplomata americano, presidente é contra entrada do País como membro permanente e evitará falar sobre o tema em sua visita em março
06 de fevereiro de 2011 | 0h 00
Denise Chrispim Marin - O Estado de S.Paulo
O presidente dos EUA, Barack Obama, não deverá trazer seu apoio à entrada do Brasil no Conselho de Segurança da ONU como membro permanente durante sua visita ao País, em março. A Casa Branca e a diplomacia americana trabalham para contornar inevitáveis e constrangedoras perguntas da imprensa e para não prejudicar seu projeto de relançar as relações bilaterais.

Segundo uma fonte do Departamento de Estado, a mudança na posição de Washington é uma possibilidade remota. Seria um "milagre". Para o governo americano, o Brasil cometeu um "pecado mortal" ao votar contra a resolução do Conselho de Segurança sobre novas sanções ao Irã, em junho.
Posição brasileira. A iniciativa brasileira teria sido mais grave que a insistente busca pelo acordo nuclear com o Irã porque "comprometeu a própria credibilidade do sistema" e deu mostras da contaminação das decisões mais sensíveis de política exterior do País pela personalidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-chanceler Celso Amorim. "Foi uma burrada", disse a fonte.
Para o Departamento de Estado, ainda não está claro se o governo de Dilma Rousseff, como continuidade da administração Lula, preservará a mesma linha de ação na área externa.
Essa dúvida começará a ser dirimida no dia 23, quando o chanceler Antônio Patriota fará sua primeira visita à secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, em Washington.
Fonte: Estadão