Movimento Pró-Democracia

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3 de mar de 2011

DEMOCRACIA PARTIDARIA. QUAL PARTIDO SERÁ CAPAZ DE PROMOVE-LA

Por Marcos Cristiano Neves

Os partidos políticos são peças chaves em um estado democrático, daí a necessidade de se discutir inclusive com a sociedade a “reforma política partidária”. Um quesito importante é a fidelidade partidária que foi introduzida no Brasil por força de interpretação judicial, razão pela qual há defeitos e em alguns casos até falta de clareza, contudo apesar do caminho tortuoso esta é uma importante conquista (que deve ser aperfeiçoada) não apenas para os partidos “sérios com programas, ideologia e projetos”, mais especialmente para uma sociedade que busca soluções urgentes para a desordem política partidária. Temos no Brasil uma imensidão de partidos políticos, isto deveria ser bom, em tese deveria representar uma maior competição partidária e consequentemente uma maior apresentação de alternativas ao eleitor, sem falar de um controle mútuo entre as forças políticas, mas o que percebemos é a partidarização dos cargos públicos, alianças partidárias improcedentes com os princípios programáticos e ideológicos das legendas; ou seja falta de bandeira e objetivo comum social, associado a falta de transparência no financiamento das campanhas eleitorais.

É diante deste cenário político partidário que o eleitor vai a cada dois anos as urnas escolher seus representantes e constituir seus governantes. Ora diante desta desordem política partidária o que se pode espera como resultado é exatamente o que temos visto, ou seja, níveis crescentes de corrupção e ineficiência legislativa e administrativa junto a um forte crescimento das políticas de clientelismo “eu te dou uma dentadura e você me dá o seu voto” por mais incrível que isso possa parecer, é assim que considerável parcela de nossos “políticos” fazem política, com o discurso do sentimento social desta maneira o eleitor que acaba por não ter como votar nos partidos e principalmente em programas de ação e ou governo, vota mesmo nestes tais politiqueiros de plantão e ou anula o voto (o que acaba sendo a mesma coisa né).

Os partidos se tornaram em sua maioria agremiações de lideres políticos regionais, que se elegem por meio do uso indevido da maquina e ainda por compra de votos ou mesmo pela troca de favores, estes a fim de estender suas arraias de "poder" também elegem seus apadrinhados políticos e mais do que isso seus parentes (filhos, sobrinhos, esposas e etc.), é a monarquia política em pleno estado democrático presidencialista. Desta maneira passamos a ter cada vez menos partidos com a participação da sociedade.
 
Cada vez mais fechados a sociedade os partidos deixaram o eleitor sem conhecimento das dinâmicas políticas partidárias diárias e possuem uma participação cada vez mais reduzida dos grupos e movimentos sociais (eu falo dos movimentos sérios). Seus filiados os que assim como eu ainda tem esperança de que é possível mudar, sofrem com a força e a interferência desta “cúpula de caciques partidários”, que tomam cada vez mais decisões fechadas sem a participação da legenda e em alguns casos não raramente sem si quer a participação da comissão executiva secretariados ou outros da coordenação do partido. Vivemos exemplos clássicos desta falta de sintonia, por exemplo, no PMDB o “maior” partido Brasileiro em que a falta de unidade faz com que o mesmo viva em uma divisão de feudos do poder regional, e em muitos casos individualista isto é uma completa instabilidade.

Observamos que decisões importantes e de interesse geral ao menos dos filiados aos partidos, tais como, por exemplo, apoiar ou não a determinado governo, a escolha de candidatos a cargos majoritários, coligações partidárias, ser contra ou a favor de temas diversos como – aborto, legalização das drogas, do casamento entre pessoas do mesmo sexo, menor idade penal e tantos outros que merecem ampla discussão e analise não apenas de um grupo fechado mais de toda a legenda, até como um importante instrumento de fortalecimento do próprio partido e sua posição diante da sociedade se tornaram decisões de indivíduos revestidos de um poder quase que sobrenatural e que se não em todas, na maioria das vezes, são decisões de interesse pessoal, transformando partidos inteiros em centros ditatoriais e isso em pleno estado democrático o que é extremamente grave em uma sociedade democrática que tem os partidos como os guardiões e ou zeladores da democracia e na pratica os mesmos na sua maioria são núcleos particulares de indivíduos repito "politiqueiros".

A discussão Sobre a reforma política não pode se limitar no sistema de voto, ou seja, se o eleitor vai votar no candidato ou no partido, a reforma política deve começar pela reforma dos partidos político do contrario esta será uma discussão vazia e o pior absolutamente danosa à população.
 
Eu penso que nesta discussão é preciso estabelecer mecanismos que obriguem os partidos a exercerem a democracia total e absoluta internamente como sendo este inclusive um pilar do principio ativo de quem pretende zelar pela democracia. Este se tornou nos tempos atuais o imperativo do desafio da democracia: "instituir a ampla e irrestrita democracia no dia a dia e no seio decisório dos partidos que afinal se dizem democráticos".
 
Bom assim o sendo resta saber qual será o partido a ergue a bandeira da democracia partidária.

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